Transtorno

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Aconselho que esse texto seja lido ao som de uma música que faça você se sentir confortável e levemente acolhido, para que a sensação de lê-lo não seja tão ruim como foi a de escrevê-lo. Mas é só um conselho, e quem é que escuta conselhos hoje dia, não é mesmo?
Acendi meu último cigarro, minhas mãos continuam inquietas e as cinzas caem da ponta do cigarro sem precisar da minha ajuda. Estou suando e eu não pratiquei nenhum tipo de exercício, para ser sincera passei o dia inteiro exatamente como estou agora, sentada na cama, com um cigarro aceso entre os dedos que fica basicamente queimando porque não tenho forças nem para trazê-lo até meus lábios.
Em um impulso causado pela minha necessidade absurda de sentir alguma coisa acabo apagando o cigarro no meu próprio braço, observo as cinzas se espalharem e caírem no lençol velho e florido, depois só encaro o círculo preto que a leve queimadura deixou no meu braço, mas não sinto absolutamente nada além de uma leve ardência ao redor da queimadura, não me sinto nem chateada pelo machucado, nem triste, muito menos feliz, eu só não sinto nada.
Respiro fundo uma, duas, três vezes, lembro de ter visto um link no facebook dizendo que isso ajudava, claramente mais um mito da internet já que agora minha respiração está mais acelerada do que nunca. Caminho pelo quarto porque minhas pernas ficaram inquietas e precisavam urgente de uma caminhada.
Andei de um lado para o outro por algum tempo até decidir ir até a sacada, dizem que sair para tomar um ar sempre ajuda em qualquer coisa. Assim que chego na sacada sinto o ar gelado tomando conta dos meus pulmões e, sem mais nem menos, caio no choro.
Senti meu corpo se desmanchar, apenas cedendo às vontades da minha mente, minha cabeça doía tanto que precisei me sentar, e mesmo assim não foi suficiente. Lá se foi uma, duas, três cartelas de analgésicos, eu só queria que aquela maldita dor me deixasse em paz.
Finalmente consigo me convencer a deitar, penso em ligar para alguém, talvez mandar uma mensagem dizendo que não estou bem e que perdi o controle de tudo, descarto a ideia assim que percebo que ninguém se importa de verdade e que consegui afastar todo mundo que tentou ajudar de alguma forma. Me reviro na cama, talvez eu devesse mudar o cabelo, cortar ou talvez mudar a cor. Sinto os analgésicos se revirando no meu estômago, seguro o vômito, eu preciso desses analgésicos, não posso dormir sem eles, eu só preciso. Obrigo meu estômago a aguentar e me obrigo a dormir, pensando, talvez, em dias melhores, que não vieram.
A pior sensação do mundo é a de perceber que você deu o seu melhor e mesmo assim não foi suficiente.

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