Temporário

22:57


Acenei um adeus de dentro do vagão do metrô enquanto você ia embora, uma despedida confusa, “até um dia” foi o que você disse, e o que provavelmente não é verdade, mas me perguntei quando seria o dia durante toda minha volta para casa, infelizmente percebi que o dia não vai acontecer.
Passei o dia na cama tentando repassar todos os acontecimentos da noite anterior, o cheiro forte de cerveja dentro de um quarto de hotel barato, tão a nossa cara que chega a ser ridículo. Lembrei-me de você deitado no meu colo em silêncio, somente o som da sua respiração se misturando com a minha, poesia que respira.
Semanas se passaram e eu continuo confusa, não sei o que aconteceu naquele minuto e nem como aconteceu, mas me diga, quantos anos são necessários para esquecer um minuto? Espero que não sejam muitos, pois estou enlouquecendo. Não voltei a ser o que era antes por sua causa, espero que não pense dessa forma, só que de repente tudo começou a pesar demais, um caos, e no meio do caos: você.
Acendi outro cigarro e enchi mais um copo, queria me divertir, mas de repente não tem graça sem você, parece que nada mais é uma aventura sem seu envolvimento. Então saio de casa, o trabalho tem pesado muito, meus pensamentos tem pesado mais ainda, preciso de uma dose de adrenalina, fugir do meu corpo por um tempo, pensar que, por algumas horas, nunca fui tocada por você.
Finalmente em casa, não consigo enxergar nem onde estou pisando, não sei como cheguei ao quarto e nem como já deitei na cama. Inesperadamente te mando mensagem, peço socorro, assumo minha loucura e minha falta de controle. Você está dormindo, é claro.
No dia seguinte você me oferece um encontro, estou acabada e assustada, sussurro um “sim” para mim e digito um não para você. Fecho os olhos e tento buscar dentro de mim qualquer sinal de saudade, seja o som da tua risada, da tua respiração, seu sorriso torto enquanto fuma um cigarro, um soluço durante teu choro e até mesmo o cheiro de cerveja do hotel barato, tudo tão intacto aqui dentro que me dou conta que eu devia ter dito “não” na primeira vez.
Sou uma ridícula romântica que gosta de se aventurar com pessoas erradas, infelizmente também sou insistente nos meus erros.

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