Noite de Natal

02:30


Era noite de natal e Brenda estava se afogando em uma garrafa de whisky barato e no prato de comida que sua vizinha lhe deu. Já era o terceiro natal que passava sozinha e bêbada, todos os seus amigos viajavam para ver a família, sempre alguém a convidava, mas ela recusava por conhecer seus problemas com festas que tinham alta quantidade de bebida alcoólica. Seus pais não ligaram pelo sexto ano consecutivo, não foi convidada para a famosa festa de natal em sua antiga casa e neste ano, mais uma vez, Paulo não ligou.
Não era fácil lidar com Brenda, ela era grossa, fria e sempre tinha uma ofensa na ponta da língua para qualquer situação. Seus relacionamentos duravam meses, no máximo um ano, tinha casos rápidos de uma noite, vivia para o prazer, seu próprio prazer e não tolerava receber menos do que isso, talvez esse seja o motivo dos relacionamentos tão curtos.
Conheceu Paulo em uma noite de natal há cinco anos, ele era, claramente, o tipo de cara para se ficar longe: professor de artes, sentimental e apaixonado pela vida, sempre sorrindo para todos, cumprimentando, elogiando e com o maldito sorriso no rosto, um sorriso lindo que fez o coração de Brenda dar pulos, o mesmo sorriso que ele deu depois de beijá-la no meio da festa, e depois de entrar no elevador aos beijos com ela, e depois de fazê-la gritar de prazer com tanta vontade que a própria Brenda desacreditou.
Brenda viu estrelas na noite anterior, e só conseguia pensar nisso durante todo o longo café da manhã com direito a beijo de bom dia, algo que ela não estava acostumada. Olhava para Paulo segurando uma xícara de café e só pensava nas marcas roxas pelo seu pescoço, no suor que escorreu por todo seu corpo, na barba dele arranhando sua bochecha, na cabeceira da cama batendo na parede, no vizinho tocando a campainha para reclamar dos gritos de êxtase que Brenda não conseguia controlar.
— Sinto muito por isso. — Paulo disse um pouco envergonhado — Não costumo fazer isso sempre, mas algo em você me chamou a atenção.
— O que exatamente?
— Não sei, uma força sai de você e me deixa feliz, só isso.
E isso foi o suficiente para manter Brenda presa por dois anos. Amou-o com intensidade, viveu cada momento como se fosse o último, entregou-se por completo pela primeira vez. Paulo despertou o que havia de melhor nela e agora estava novamente no fundo do poço esperando por uma ligação, uma mensagem, um cartão, qualquer coisa que a fizesse se sentir um pouco viva, se ele ao menos respondesse suas mensagens pedindo para que ela parasse de enviar as mensagens seria o suficiente.
Tentou forçar os gritos de êxtase vividos anteriormente com outras pessoas, falhou miseravelmente. Os flertes de bar e os beijos quentes no elevador se tornaram mais frequentes, nunca tinha comprado tanto cigarro como comprava agora, nunca tinha bebido tanto e visto tantos rostos diferentes em cada café da manhã, tudo para tentar preencher o vazio de uma noite de natal que poderia ter durado para sempre.

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