Acabou

19:48

Eu poderia correr de você para sempre e ainda não seria o suficiente, até porque quando penso que estou longe é porque estou mais perto. Você me deixou louca e me fez acreditar que é isso que o amor faz, mas não é, achei que você pudesse me consertar, mas você só me fez cair mais aos pedaços.
Sua indiferença me matou aos poucos, eu podia sentir a culpa tomando conta de cada parte do meu corpo, como uma epidemia. Passei meses me escondendo sob sua sombra, sendo sua segunda opção, seu “se nada der certo”, se ela te largasse você sabia que eu ainda estaria ali, você sabia que eu voltaria.
Não duvido e nunca duvidei dos seus sentimentos por mim, sei que eles existiram em algum lugar dentro da bagunça que você é, e que talvez eles ainda estejam aí se escondendo de tudo isso, e é exatamente por esse motivo que eu desisti de lutar, abri mão, joguei fora. Eu tentei consertar as coisas desde que elas começaram a dar errado, mas você não me deixava tentar, você fazia eu me sentir uma idiota por continuar insistindo nisso. Você me deixou sozinha para apodrecer com a culpa, me torturou com todas as palavras que nunca me disse, me afastou de todas as formas possíveis, foi como se eu nunca tivesse existido para você.
Agora acabou, o velho batom vinho voltou para os meus lábios acompanhado do cigarro barato, que descansa na minha boca, tão silencioso quanto você. Meus olhos permanecem os mesmos, você não é tão forte para mudá-los, “olhos de cigana obliqua e dissimulada” como meu próprio pai os apelidou. Te deixo ir com a mesma facilidade que te deixei ficar, te dou liberdade para voltar com a mesma vontade que te dei para me conhecer, mas por enquanto vamos fazer o que nascemos para fazer: nos abandonar.

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