Saudade

17:00

Acendi meu último cigarro e ele parecia ter o seu gosto, ou seja, balas de goma e saudade. É o meu quinto cigarro desde que deixei você, há cerca de três horas atrás, e eu sinto como se metade de mim já tivesse ido embora com a fumaça que soltei.
O silêncio que permanece agora é uma lembrança constante da falta que você vai fazer nos próximos dias, talvez meses. Todas as citações de filmes românticos guardadas em um documento do bloco de notas me lembram de tudo aquilo que eu queria dizer e não disse, de todas aquelas madrugadas que passei acordada pensando em quantas coisas erradas nós representávamos, relendo todos aqueles textos, agora tudo o que pretendo escrever sobre você será cheio de verbos no passado me lembrando que os poucos dias que tive ao seu lado fazem parte daquele passado que prometi esquecer quando te conheci.
A saudade é recente, mas já está me degradando aos poucos, não quero imaginar como estarei no final da semana. Tudo era mais fácil quando a tortura era uma coisa boa, um comentário sexual feito no momento certo, ou uma palavra que fazia despertar a saudade guardada, agora a tortura é o silêncio, a falta de comentários, de palavras, de sorrisos e dói, dói tanto.
Lembro quando a saudade era só por conta da distância dos corpos, agora é por conta da distância das emoções, das palavras, antes o coração estava perto e o corpo longe, agora os dois parecem tão distantes. Nunca imaginei que ia sentir sua falta tão rápido, de um jeito tão forte.
Começou de um jeito tão inocente e agora é um sentimento que me faz transbordar, queria olhar nos teus olhos e dizer pela última vez que te amo, que amo tanto que não cabe mais em mim. É como aquela frase clichê diz: "Quando a saudade não cabe no coração ela transborda pelos olhos", minha saudade transborda em palavras clichês, como sempre.
Foi uma decisão minha, eu sei, mas isso não significa que eu não esteja pedindo bem baixinho: "Sente minha falta, por favor, sente minha falta".

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